TERROR



Depois do ato terrorista em Nova York, políticos de todos os partidos e nações convocam para a defesa conjunta do "nosso Estado democrático contra "o mundo não civilizado". Não acreditamos que qualquer Estado – americano, alemão, inglês, iraquiano ou afegão – nos proteja do terrorismo. O Estado necessita do terrorismo e é terrorista todos os dias.

O Estado defende os que enriquecem com a miséria de outros, os capitalistas, fazendo-nos brigar por eles: comerciantes de ações e os que especulam com juros; fabricantes de armas, para quem todas as guerras são lucrativas etc.

O Estado democrático está sempre a cometer massacres (como, por exemplo, na guerra do Golfo e na Iugoslávia) e a apoiar os senhores da guerra em outros países. Assim, os EUA primeiro apoiaram o Iraque e o Talibã contra o Irã e a URSS. Hoje, declaram que eles são os seus piores inimigos. Ou seja: o Estado age de modo terrorista, sempre que lhe convém.

Todo Estado necessita de um inimigo interno e no exterior, para melhor controlar seus trabalhadores e justificar os cortes sociais e a exploração intensificada. O ato terrorista nos EUA veio bem a calhar, para todos os representantes estatais dos Estados industrializados, sobretudo para Bush. A crise econômica na Europa e nos EUA vinha se agravando. Nos EUA, foram suprimidos 1 milhão de postos de trabalho na indústria; a Opel anuncia que diminuirá em 15 por cento a produção. A "Nova Economia" se parece cada vez mais com a velha: a AOL pensa em demitir 20 por cento na Alemanha, a HP e outras empresas avisam que haverá redução de salário, os preços das ações continuam despencando etc.

Em que desculpas de merda os políticos estariam pensando, para tentar explicar que - apesar da insuportável exploração e dos salários cada vez menores nos últimos anos e em contraste com a riqueza e alta tecnologia que vemos - o futuro será ainda pior?!

Que farão para nos impedir de lutar contra esta situação e de impor nossas necessidades contra os lucros e os preços das ações?! Depois dos atentados, os políticos rotularão uma grande parte de sua política de crise como "medidas antiterroristas". Contam com o nosso medo de uma grande nova guerra e pensam que por isso aceitaremos as medidas estatais.

Não permitiremos que nos intimidem.


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2 Comments:

At sexta-feira, 08 dezembro, 2006, Anonymous Anônimo said...

um bom livro que fala sobre o "terrorismo de estado" é O HOMEM REVOLTADO de Albert Camus...

não existe estado moderno que não foi construído pela violencia... todos os estados nasceram por atos violentos... o terrorismo é interno ao estado...

o estado necessita do terrorismo... o ato terrorista contra os EUA criou uma ótima justificativa para as ações violentas dos estados... o estado defende os capitalistas pela imposição autoritária de leis... as "medidas antiterroristas" não passam de conservadorismo dos poderes e hierarquias hegemônicas... o medo da população,
a submissão da sociedade civil, são a argamassa da hegemonia...

ora,ora,ora, sabemos muito bem de tudo isso a mais de cinquenta anos, nenhuma novidade...

o que pode fazer uma minoria de anarquistas? lembro que nas manifestações populares que participei, os anarquistas são a minoria da minoria, não são mais numerosos do que os índios... a propaganda e sabotagem anarquista são aventuras pessoais, coletivas, cujo efeito é sempre reduzido...

não nos enganemos em ilusões...
o terror de estado vai continuar...
mas por quanto tempo?

 
At sábado, 09 dezembro, 2006, Anonymous Anônimo said...

volta e meia penso na questão da violencia...
é uma encheção, um saco...
toda guerra me parece estúpida e sem sentido...

devemos recusar ao Estado tudo o que ele solicitar de nós, principalmente recusar o pedido que ele nos faz de reconhecermos a sua soberania sobre o território...

leiam Max Stirner, sem a consciencia do egoismo o estado vai permanecer uma carcaça podre e fantasmagórica sobre nós...

 

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