EZTÉTYKA DO SONHO



O sonho é o único direito que não se pode proibir.
O sentimento de colaboração humana renova e revela uma nova categoria de indivíduo, mas é necessário para isso que a velha cultura seja revolucionada.
Nenhuma estatística pode informar a dimensão da pobreza. A pobreza é a carga autodestrutiva máxima de cada homem.
Na medida que a desrazão planeja a revolução, a razão planeja a repressão.
A revolução é a anti-razão que comunica as tensões e rebeliões do mais irracional de todos os fenômenos que é a pobreza.
A revolução, como possessão do homem que lança sua vida rumo a uma idéia, é o mais alto astral do misticismo.
As revoluções se fazem na imprevisibilidade da prática histórica que é a cabala do encontro das forças irracionais das massas pobres.
A revolução é uma mágica porque é o imprevisto dentro da razão dominadora.
A cultura popular será sempre uma manifestação relativa quando apenas inspiradora de uma arte criada por artistas ainda sufocados pela razão burguesa.
A cultura popular não é o que se chama tecnicamente de folclore, mas a linguagem popular de permanente rebelião histórica.
O Povo é o mito da burguesia.



Glauber Rocha
http://www.tempoglauber.com.br/

Trechos extraídos do artigo Eztétyka do Sonho, de 1971



DOWNLOAD: THE PHILADELPHIA EXPERIMENT - 2001 - 256 Kbps
http://rapidshare.com/files/17168933/the_philadelphia_experiment_2001.rar.html

1 Comments:

At terça-feira, 21 novembro, 2006, Anonymous Anônimo said...

o sonho não é direito nem esquerdo nem do avesso nem da puta-qui-pariu
o sonho é mistério o único mistério não contaminado pela lógica das mercadorias...

meus sonhos são reais... a única realidade que considero digna e sagrada... o resto é resto...

o que se percebe numa única noite de sonhos intensos é mais significativo do que todas as guerras e revoluções da história da humanidade...

abaixo a psicnálise! pau-na-bunda de freud lacan jung e toda cambada de avalistas e síndicos do inconsciente...

quanto a "colaboração humana" estou em greve contra o trabalho
até disposição em contrário...
faço cinema e literatura porque sou louco-varrido maluco doido ensandecido e lunático não é trabalho e não pode ser...

entretanto, aceitaria viver numa comunidade onde as atividades ecológicas fundamentais visando alimento roupa moradia e energia não estejam submetidas ao mercado, caso contrário, prefiro o suicídio.
Marcel Camus dizia que a questão do suicídio é a única questão filosófica fundamental. concordo. se um dia chegar à conclusão que minha única forma de existencia é negociando minha pele no mercado, então adios é o fim...

vivemos numa civilização em ruínas
os grandes centros urbanos são matadouros pestes campos de concentração onde a manada reproduz o horror cotidiano. Glauber não se ilude:"A pobreza é a carga autodestrutiva máxima de cada homem". a cidade é um hologram criado pela práxis a má-fé a aceitação a subserviencia o curvamentu dy espinha a covardia o medo a intolerancia a burrice... o horror somos todos nós abraçados no frenesi de um estupro coletivo para procriar mercadorias...

"a razão planeja a repressão". todo filho da puta, todo otário que leu freud acredita que sem polícia é o fim da civilização... o mundo está repleto de múmias incapazes de evoluir... Glauber acerta o alvo em cheio "a revolução é a anti-razão"...

a revolução não só é o mais alto astral do "misticismo" da mitologia da ficção da poesia e da "eztétyka do sonho" como é aquela ação conciente de sua virtualidade sua plasticidade sua impermanência sua transitoriedade sabendo que cada gesto e ato perceptivo é fruto das raízes labiryntos entrelaçadas no karma humano sem nenhuma natureza fixa pronta sem nenhuam lei natural ou histórica...
a revolução é perceber a própria percepção como arte e invenção...
empirismo herege rebelde criativo
sem "normalização" ou disciplina...
a revolução é "imprevisibilidade" e mais ainda é "invisibilidade" o "visível" é mundo da mercadoria a obviedade revolução é sutileza não armadura portanto nada de partidos manifestos ciencia social comícios tudo isso é besteira... marxismo é hoje uma retórica acadêmica... é da macumba terrorysta que se deflagra a rebelião... é pela magia das drogas e feitiços pela psicofarmacofilia orgiástica que o imprevisível e inusitado cresce como um cogumelo mágico do interior da merda da razão repressora... a alquimia macumbeira e a pajelança indígena é a contracultura possível...

a cultura popular - da qual eu sou um dos expoentes desconhecidos
um singular vagabundo de uma brasilidade não-nascida
- só vai atingir e gerar a autonomia necessária quando não estiver mais "sufocada pela razão burguesa"... para tal razão a cultura popular é "folclore", visão acad~emica e conservadora que não comunga com os valores dos indivídus, porque o folclore é um tipo de discurso atrelado à razão colonialista que instaura sua cientificidade ao definir os sujeitos como objetos, alienando o pesquisador da mesma forma que divide as classes e a economia, consumidores de um lado mercadorias do outro, por isso o folclore é a narrativa acadêmica que pretende informar as oligarquias de letrados sobre os comportamnetos das "camadas populares" sem nenhum compromisso com elas a não ser o de mante-las na precariedade e submissão... só existem dois caminhos para a cultura popular: nascer ou sofrer um aborto... no período de gestação atual a rebelião significa o seu nascimento enquanto que a acomodação ao "folclore oficial" o seu aborto.
no momento que o processo de gestação da cultura popular fica vinculado ao estado comercio partidos universidades não há mais autonomia e essa falta é o aborto da cultura popular...

Glauber diz que o povo é um mito da burguesia... mas é um mito criado por todos por cada um que cre no povo que se acha povo que tem fé no povo... povo povo povo teu segredo é não ter dono... o que é povo? um mito burges ou de todas as classes... e o que é um mito? leia Darcy Ribeiro para conhecer uma das faces da mitologia do povo brasileiro...

 

Postar um comentário

<< Home